sexta-feira, 30 de março de 2012

NOITE DE ALMIRANTE


OU A ETERNIDADE AMOROSA

         Ontem estive lendo pela centésima vez (estou hiperbólico) a desafortunada vida amorosa de Deolindo Venta Grande, personagem do conto Noite de Almirante de Machado de Assis (este era, é e será sempre O CARA). Nesse conto, Deolindo, trabalhador embarcado de um navio, em terra, se apaixona por Genoveva (também conheci uma na adolescência, e a história não foi muito diferente. rsrs). O amor foi tão avassalador que os dois pensaram em morar juntos. Deolindo abandonaria a embarcação e ancoraria sua vida à de Genoveva, um lócus amoenus, numa aurea mediocritas. Se não fosse a velha Inácia, espécie de tia da moça, eles teriam feito besteira. Deolindo precisava trabalhar, e no dia do embarque, choro, tristeza, juras e muitas juras: ambos juraram amor eterno. Como se Cupido fosse preguiçoso. Dez meses depois, ele retornou para o seio de Genoveva, “colozinho de Genoveva”. Trazia-lhe um mimo, um lindo par de brincos, comprado com as economias e trazia-lhe o corpo casto, embora não fossem poucas as tentações. Anos depois João Guimarães Rosa definiria Jó Joaquim, personagem de Desenredo, assim: “bom como o cheiro da cerveja”. Era assim Deolindo. Bom e querido por todos.
            Quando Venta Grande se aproximava da casa de Genoveva, deve ter estranhado a ausência da moça à janela. Era assim que deveria ser. A musa esperando melancólica seu poeta, como bem mais tarde Wando assinalaria em “A Menina e o Poeta”, imortalizada na voz de Roberto Carlos. Mas nada. Estava tudo fechado. Quando Dona Inácia veio abrir a porta, Deolindo nem a cumprimentou, perguntou ansioso pela amada. O chão afundou, com o peso do marinheiro ao saber ele que a moça havia se amancebado com o mascate. A polidez machadiana jamais permitiria o uso desse termo, mas peço licença para utilizá-lo. Amancebou-se Genoveva com o mascate. Pode?! Deolindo de endereço na cabeça saiu, pisando firme, imaginando a faca vingadora ensanguentada. Ia tão desapercebido em seus devaneios vingativos que nem percebeu Genoveva, à janela. Diante da moça, não sabia o que fazer, ela era espontânea, interrogativa, feliz com vê-lo. Não tinha o peso da vergonha culposa sobre os ombros. Até porque nada tinha feito nada para isso. Era inocente, quase anjo, sem mácula. Desarmado, Venta Grande balbuciava e respondia às perguntas da moça a respeito das viagens... Até que chegou o solene momento em que o mestre da Literatura e do conto manipula Deolindo à pergunta que não pode calar: e a jura! você não jurou amor eterno! Então não era verdade? Claro que era! Quando jurei era verdade!

            Alguém duvida da honestidade de Genoveva? Claro que não. É assim o amor. São dois mestres da poesia que bem definem a eternidade amorosa. O primeiro é Vinícius de Morais:

                            “Que não seja imortal, posto que é chama
                             Mas que seja infinito, enquanto dure!”

O outro é Pedro Lira:

                       “...Isso já estava morto e martelava
                       Por hábito por vício ou por capricho
                       (...)
                       Quem trai faz um favor, derrete o nó
                       E segue a natureza por que aquilo
                       Não era mais amor, era insistência”  


Eis o quanto dura a eternidade amorosa: um nada. Ou uma vida inteira. O tempo é com certeza o maior inimigo dos juramentos amorosos. Na presença ou não de um padre, ou de Deus. Mas é isso a eternidade, é enquanto ela dura. Um amor pode durar uma noite, uma semana, uma vida. O importante é aproveitá-lo sem se preocupar quando ele vai se esvair.
Deolindo foi fiel, não se envolveu com nenhuma mulher nas suas andanças. Genoveva também. Só que Genoveva devido á sua condição feminina estava parada, sonhando, pensando no amante. Aí veio o mascate. Papo vai papo vem...
O certo é que o marujo não matou nem se matou, pois a vida continua. É certo também que na próxima viagem ele terá mais olhos para as suecas, dinamarquesas, africanas.
(Professor Alves, março de 2012)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ATIVIDADE DE PORTUGUÊS/LITERATURA



2° ANO – PROFESSOR ALVES
ASSUNTO: REALISMO/NATURALISMO CEARENSE
                     PARNASIANISMO BRASILEIRO

01. O Realismo/Naturalismo teve no Ceará grandes representantes. Talvez tenha sido esse período o mais profícuo da literatura cearense, e possivelmente esse fato justifique a tendência, mesmo no Modernismo, da produção de obras aos moldes machadianos. Identifique abaixo os autores cearenses pertencentes ao período do Realismo/Naturalismo.
a) (   ) Aluísio Azevedo
b) (   ) Domingos Olímpio
c) (   ) José de Alencar
d) (   ) Antônio Sales
e) (   ) Oliveira Paiva
f)  (   ) Moreira Campos
g) (   ) Rodolfo Teófilo
h) (   )  Júlio Ribeiro
i)  (   ) Adolfo Caminha

02. OS trecho abaixo referem-se a  importantes romances realistas cearenses. Indique a seguir o nome da obra e o de seu autor.

a) Na condução do enredo, o narrador une, habilmente, a crônica dos costumes à especulação psicológica. O protagonista, Alípio, é, a rigor, um sujeito medíocre, desprovido de valores autênticos, que conquista seu espaço social, por grau de parentesco ou por verborragia. Florzinha é a caricatura da mulher provinciana, que, esmagada pelo patriarcalismo, vê, no casamento, a única saída para inscrever-se socialmente. Bilinha, presa ao mundo do trabalho, pode até ter comportamento licencioso, mas é, por conta disso, vítima do olho da opinião pública.
OBRA ___________________________________________
AUTOR __________________________________________

b) O homem agindo instintivamente, ou seja, o homem voltando ao seu estado primitivo em decorrência das adversidades de sua existência. Desta forma, O ser humano é levado apenas pelo desejo de saciar uma das necessidades primárias, a fome.
OBRA ___________________________________________
AUTOR __________________________________________

c) Quando de seu lançamento, ajusta-se perfeitamente às propostas do Determinismo. João da Mata desfruta sexualmente de sua afilhada. Maria do Carmo, moça ingênua, de uma excepcional brandura de caráter, educada em uma casa de caridade e depois normalista. Pressionada pelo instinto sexual e por circunstâncias superiores à sua vontade, Maria do Carmo entrega-se ao padrinho, submetendo-se totalmente à lascívia de João da Mata.
OBRA __________________________________________
AUTOR _________________________________________

d) A obra tematiza a violência e o sadismo que florescem como literatura naturalista. Há nuances de Romantismo na morosidade da descrição das paisagens, onde a natureza, às vezes, é madrasta principalmente por causa da seca. Explora a duplicidade da personagem principal, ela é bonita, gentil e retirante da seca, mas também tem força descomunal. Ela integra um grupo de retirantes, e sua figura forte e personalidade marcante logo atrai a atenção dos homens que disputam o amor da heroína.
OBRA ______________________________________
AUTOR _____________________________________



SONETO PARA GUIDINHA

Veem essa mulher atada a grilhões,
Que aos nossos olhos desfila altaneira?
Vá que finja passar dessa maneira,
Foi senhora de bens e de milhões.
           
Antes ria alto e barrava os barões
E só respeitava sua bandeira
Feita de ímpeto e palavra cardeira,
De todos recebia bajulações.

O despudor que lhe penetrou a casa
E também lhe instigou a índole impudica
Levou-a ao jardim suspenso da perfídia.

Por isso hoje lhe cortaram a asa
E sem moral acorrentada fica,
Já seus bem jazem entregues a desídia

(Professor Alves, Maio de 2004, baseado no romance
Dona Guidinha do Poço)

03. A narrativa presente no soneto acima, baseado no romance dona Guidinha do poço, pode ser divido em dois momentos, que podem ser indicados pelos advérbios:

a) antes e hoje;
b) que e por isso;
d) também e já;
e) vêem e levou. .

04. Palavras cognatas são palavras que possuem a mesma raiz. São também chamadas palavras irmãs. Assinale a alternativa que apresenta termos cognatos.
a) atada e desfila;
b) bandeira e cardeira;
c) barrava e barões;
d) despudor e impudica.

05. A ideia de prisão, presente na primeira estrofe, está retomada na última. Que termos presentes nas estrofes referidas conduzem essa idéia?
a) atada e cortaram;
b) desfila e desídia;
c) grilhões e acorrentada;
d) bens e asa.

06. Sobre o romance Dona Guidinha do Poço é correto afirmar:
a) O romance narra a História de uma mulher com força descomunal, entretanto muito bonita, que desperta a cobiça masculina.
b) Baseado em fatos reais, conta a história de Margarida Regianaldo de Sousa Barros mulher poderosa que trai o marido com o sobrinhos deste. Desconfiado, ele vem a Fortaleza buscar a separação, entretanto, quando volta é assassinado a mando de Guida que vai presa, mas desfila altaneira, como sempre viveu.
c) Narra a história de Lúcia, moça pobre que se torna rainha do alcouce. Apaixonada por Paulo, resolve deixar a vida, mas morre antes de realizar seu sonho.
d) narra a história de uma mulher, Margarida de Sousa Barros, que vem com a família para Fortaleza, fugida da seca de 1877. Na trajetória ela testemunha criatura famélicas, sucumbidas ao mais primitivo dos instintos. Sobrevive graças ao seu denodo e seu conhecimento sobre a técnica de beneficiamento da mucunã.     

QUESTÕES SOBRE O PARNASIANISMO BRASILEIRO
01. (FUND. UNIV. RIOGRANDE) Marque a afirmativa correta:
a) O Parnasianismo caracterizou-se, no Brasil, pela busca da perfeição formal na poesia.
b) O Parnasianismo determinou o surgimento de obras de tom marcadamente coloquial.
c) O Parnasianismo, por seus poetas, preconizava o uso do verso livre.
d) O Parnasianismo brasileiro deu ênfase ao experimentalismo formal.
e) O Parnasianismo foi o responsável pela afirmação de uma poesia de caráter sugestivo e musical.


02. Assinale a alternativa que tenha apenas características do Parnasianismo:
a) culto da forma; objetivismo; predomínio dos elementos da natureza;
b) preocupação com a forma, com a técnica e com a métrica; presença de rimas ricas, raras, preciosas;
c) predomínio do sentimentalismo; vocabulário precioso; descrições de objetos;
d) teoria da arte pela arte; métrica perfeita; busca do nacionalismo;
e) sexualidade; hereditariedade; meio ambiente.


03. (MACKENZIE) Não caracteriza a estética parnasiana:
a) A oposição aos românticos e distanciamento das preocupações sociais dos realistas.
b) A objetividade, advinda do espírito cientificista, e o culto da forma.
c) A obsessão pelo adorno e contenção lírica.
d) A perfeição formal na rima, no ritmo, no metro e volta aos motivos clássicos.
e) A exaltação do “eu” e fuga da realidade presente.


04. (CEFET-PAR) 
E sobre mim, silenciosa e triste,
A Via-Láctea se desenrola
Como um jarro de lágrimas ardentes. (Olavo Bilac)

Sobre o fragmento poético não é correto afirmar:
a) A “Via-Láctea” sofre um processo de personificação.
b) A cena é descrita de modo objetivo, sem interferência da subjetividade do eu-poético.
c) A opção pelos sintagmas “desenrola” e “jarro de lágrimas ardentes”visa a presentificar o movimento dos astros.
d) Há predomínio da linguagem figurada e descritiva.
e) A visão de mundo melancólica do emissor da mensagem se projeta sobre o objeto poetizado.

  
05. Enfocando os temas e as atitudes parnasianos:
a) a poesia parnasiana é alienada, no sentido de que ignora as questões que não sejam essencialmente estéticas;
b) há um acentuado desprezo pela plebe e pelas aspirações populares;
c) o artesanato poético é sua principal preocupação;
d) os parnasianos diferem da atitude impassível e anti-sentimental dos realistas;
e) é uma poesia de elaboração, fruto do “esforço intelectual”.


06. Ainda quanto a estes temas e atitudes:
a) existe uma preferência pelos temas universais, objetivos;
b) ao fazer a fixação da cenas históricas, o poeta coloca-se ao lado dos anseios de sua época;
c) a mitologia é revalorizada;
d) filosoficamente, os parnasianos são pessimistas;
e) a descrição de fenômenos naturais é freqüente em seus versos.


07. Leia os versos:
Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhantes copa, um dia,
Já de  aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia.
Então e, ora repleta ora esvaziada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Todas de roxas pétalas colmada.  (Alberto de Oliveira)

 Assinale a alternativa que contém características parnasianas presentes no poema:
a) busca de inspiração na Grécia Clássica, com nostalgia e subjetivismo;
b) versos impecáveis, misturando mitologia clássica com sentimentalismo amoroso;
c) revalorização das idéias iluministas e descrição do passado;
d) descrição minuciosa de um objeto e busca de um tema ligado à Grécia antiga;
e) vocabulário preciosista, de forte ardor sensual.




Vila Rica

1     O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
2     Sangram, em laivos de outro, as minas, que ambição
3     Na torturada entranha abriu da terra nobre;
4     E cada cicatriz brilha como um brasão.
5     O ângelus plange ao longe em doloroso dobre.
6     O último ouro do sol morre na cerração.
7     E o, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
8     O crepúsculo cai como uma extrema-unção.
9     Agora, para além do cerro, o céu parece
10   Feito de um ouro ancião que o tempo enegreceu
11   A neblina, roçando o chão, cicia, em prece.
12   Como uma procissão espectral que se move...
13   Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
14   Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove. (Olavo Bilac)
  
08. Sobressai no poema:
a) a descrição de um ambiente fictício;
b) a visão do homem infeliz;
c) um retrato valorizador da fé humana;
d) um aprofundamento do mistério humano;
e) O aspecto descritivo e a lembrança de um passado histórico.


09. Predominam no texto:
a) imagens gustativas e auditivas;
b) imagens acústicas e tácteis;
c) imagens  acústicas e olfativas;
d) imagens visuais e tácteis;
e) imagens acústicas e visuais.


10. Assinale o par que melhor se aplica ao poema:
a) manhã / tarde
b) religião / ateísmo
c) dor / felicidade
d) mistério / solução
e) opulência / decadência
  

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CUIDADO COM A GRAMÁTICA

quinta-feira, 21 de abril de 2011

DESPEDIDA DO TREMA




É realmente muito triste assistir à despedida daquele que tanto nos auxiliou nas confusões dos dígrafos guqu... Como agora saber se o "u" é ou não pronunciado? Como justificar a pronúncia do"U"  em LINGUIÇA, por exemplo, enquanto que em palavras com a mesma sílaba 
gui como na palavra ENGUIÇO ele não é pronunciado?! É porque é, e pronto??? Essa reforma descontruiu tudo... Tem gente aí aos montes, pensando que agora as palavras não precisam mais ser acentuadas, achando que se pode escrever de qualquer maneira, que todas as palavras compostas podem ser escritas sem o hífen... E por aí vai...
Nada reformulado, nada reformado, tudo continua o caos na (nossa?) Língua Portuguesa...
 
 
 
 
 
Despedida do TREMA 
"Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos. 
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!... 
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disse que sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. 
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá. 
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!... 
Nós nos veremos nos livros antigos. saio da língua para entrar na história. 

Adeus, 
Trema." ¨



SCRAP ENVIADO POR cRISTIANE MESQUITA

quarta-feira, 13 de abril de 2011

DOM CASMURRO

          
            Um dos romances mais interessantes de se lê é Dom Casmurro, de Machado de assis. Quem não o leu, faça-o. Será um prazer tão imenso que possivelmente será difícil encontrar outro similar. Desculpem-me a exageração, como diria o próprio machado, mas vai aí um fundo de verdade. A linguagem de machado de Assis é responsável pelo sucesso da obra, até mais do que a história. O modo como é conduzida a trama é a linguagem. Vejamos esse pequeno trecho:
           "Não me pude ter. As pernas desceram-me os três degraus que davam para a chácara, e caminharam para o quintal vizinho. Era costume delas, às tardes, e às manhãs também. Que as pernas também são pessoas, apenas inferiores aos braços, e valem de si mesma, quando a cabeça não as rege por meio de ideias." (Capítulo XIII)
           Se a história é genial no que tange a dúvida  do adultério que permeia a mente de quem discute a obra sob esse ponto, a linguagem é genialíssima, como diria a personagem José Dias, pela objetividade, pela metáfora da existência que desenvolve, pelo vocábulo que lhe preenche as entranhas. 
       Fazia tempo que não o lia, e algumas passagens já me haviam esquecido. Tomei-o novamente e descobri mais uma vez o prazer da leitura. Quando eu era pequeno, dez anos, acho, li um livro que me pareceu divino: Amor, o pacto quebrado, de Bábara Cartland. Cinco anos, li-o novamente. A história me pareceu interessante, mas já encontrei algumas falhas de descrição, sequência. Mais à frente li-o novamente e já achei-o uma lástima. A culpa não é da autora, mas minha, que cansei de ler histórias em quadrinho, livros de bolso e fui ler José de alencar, Aluísio Azevedo. 
          Com Machado, conforme dito acima, isso não acontece. Cada vez que lemos mais descobrimos maravilhosas construções. Enigmas linguísticos vão sendo desfeitos e releituras vão se fazendo em nossos conceitos. Vejam o trecho abaixo, para depois me dizer se vale ou não a pena ler Dom Casmurro.
                     "O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não aguenta tinta. Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que me restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos-santos. Quanto às amigas, algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase todas creem na mocidade. Duas ou três fariam crer nela aos outros, mas a língua que falam obriga muita vez a consultar os dicionários, e tal frequência é cansativa." (Cap. II)
    (Professor alves, 13/04/2011)

domingo, 28 de novembro de 2010

DITADOS POPULARES


Muito bom. É preciso reaprender !! 
HOJE É DOMINGO PÉ DE CACHIMBO... e eu ficava imaginando como seria um pé de cachimbo, quando o correto é:
           HOJE É DOMINGO PEDE CACHIMBO... Domingo é um dia especial para relaxar e fumar um cachimbo ao invés do tradicional
 cigarro (para aqueles que fumam, naturalmente...).Muito legal esses de baixo. Eu não conhecia essas armadilhas da língua, exceto pelo "Batatinha quando nasce..." e " Cuspido e Escarrado".
 Eu falava assim.... APRENDA O CORRETO:
E a gente pensa que repete corretamente os ' ditos populares'
Dicas do Prof. Pasquale:
No popular se diz: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bichocarpinteiro' "Minha grande dúvida na infância... 

Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro???"
Correto: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro' "Tá aí a resposta para meu dilema de infância!"  EU 
NÃO SABIA. E VOCÊ?
Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.'
Enquanto o correto é: ' Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.' "Se a batata é uma raiz, ou seja, nasce enterrada, como ela se esparrama pelo chão se ela está embaixo dele?" 
'Cor de burro quando foge.' 
correto é: 'Corro de burro quando foge!'"Esse foi o pior de todos!
Burro muda de cor quando foge??? Qual cor ele fica??? Porque ele muda de cor???"  

Outro que no popular todo mundo erra:'Quem tem boca vai a Roma.'
"Bom, esse eu entendia, de um modo errado, mas entendia! Pensava que quem sabia se comunicar ia a qualquer lugar!" 

 O correto é: 'Quem tem boca vaia Roma.' (isso mesmo, do verbo vaiar).
Outro que todo mundo diz errado,
'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. 
correto é: 'Esculpido em Carrara.' (Carrara é um tipo de mármore)
Mais um famoso.... 'Quem não tem cão, caça com gato.' "Entendia também, errado, mas entendia! Se não tem o cão para ajudar na caça o gato ajuda! Tudo bem que o gato só faz o que quer, mas vai que o bicho tá de bom humor!"
correto é:'Quem não tem cão, caça como gato.... ou seja, sozinho!'
  Vai dizer que você falava corretamente algum desses????? 

sábado, 18 de setembro de 2010

CORNO E AVILTADO

Uma aluna me fez uma pergunta que me deixou cabreiro (interessante essa expressão). A pergunta foi a seguinte:
"Professor, quem trai é adúltero ou adúltera. E quem é traído é o que, só corno?"
Caraca, realmente não havia pensado nisso. Prometi a ela então pesquisar para poder lhe dar uma resposta decente. Nunca fui de ficar tentando inventar resposta. Muni-me, pois, de alguns dicionários (etimológico,  sinônimos e antônimos, sinônimos). Mas nenhum deles continha o termo adequado para responder à duvída de minha aluna. 
O certo é que a própria palavra "traído´" não diz muita coisa, pois o radical do verbo é muito claro, uma vez que traído, por exemplo, é o povo brasileiro, que acreditou numa mudança radical a qual pudesse modificar o país, e deu com os burros n'água; traído é o goleiro, quando acredita que a bola vai em suas mãos e vê a jabulani entrando no gol, pelo lado totalmente oposto; traído é o consumidor quando compra um produto, ciente de que este vai facilitar sua vida, tem uma enorme dor de cabeça quando o aparelho não funciona e ainda por cima não consegue falar com o suporte que promete resolver seus problemas. 
Definitivamente esse termo não serve. Encontrei alguns outros, como ultrajado, enganado, aviltado. Também não servem. Nessa pesquisa, concluí que o termo adúltero também não é adequado para indicar o traidor ou a traidora, o infiel ou a infiel (estes são mais adequados) uma vez que adúltero é mais adjetivo que substantivo, pois indica modificado, falsificado, adulterado. Só em alguns dicionários mais chinfrins (essa é lídima), como o do Sr. Aurélio, é que adúltero/a aparece na conotação que conhecemos.
Fica o enigma da palavra, e eu tento decifrar o enigma da coisa.

CORNO é o indivíduo que ouve seus próprios clamores, berrando ser a companheira uma pessoa de pouca confiança, uma vez que seus olhos  e ouvidos (dele) percebem tudo de forma ADULTERADA. Se as pessoas riem é porque estão zombando de sua insignificante criatura; se ouve um assobio, é o amante dando sinais, e essas baboseiras que já vimos, lemos e ouvimos na vida real, na literatura ou na cinematografia (esse é do baú). Esse é o corno, que esconde a mulher dos olhos dos outros e, quando a expões, é sempre com "cara-de-marido" (esse é de Chico Buarque).
TRAÍDO, AVILTADO, ULTRAJADO é o indivíduo, coitado, que não teve sorte e casou-se com uma mulher de maus bofes e sem caráter.
Pronto explicado, ou pelo menos tentado.
      (Professor Alves)
PS.: Quanto às fonte não citadas, existem muitas, vão atrás e as encontrarão.