domingo, 17 de junho de 2012

EXERCÍCIOS DE PORTUGUÊS PARA CONCURSO


PROFESSOR ALVES

TEXTO I
O INCÊNDIO DE JOELMA

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
(Fernando Pessoa)

A primeira vez que ouvi teu nome,
                                      [Joelma,
Veio-me à lembrança um incêndio
                                      [antigo!
E  me lembrei das pessoas se jogando,
                                        [desesperadas
Pessoas tentando salvá-las, angustiadas,
E o país parado diante daquele tomento.
Eu ri, Joelma, quando ouvi teu nome.

Mas o que eu não sabia, Joelma,
Era que teu nome traduzia incêndio
E que eu me veria, em minhas noites

De desabrida luta contra a solidão,
Queimando por dentro como alucinação,
O teu nome soando nos meus ouvidos
E eu, coitado, sem você pra me salvar!

Sinto um frio na barriga, Joelma,
Toda vez que ouço teu nome,
O gelo vira fogo que a toda me consome
E a cena triste do incêndio se repete,
Os meus sentimentos se agitam,
Tentam saltar do meu peito, inútil!

Minhas orações são vãs, vãs
Já o que eu sentia à noite
Se desdobra pelas manhãs,
Sinto bravo o incêndio da incerteza
E eu já não rio mais, Joelma, quando
                                [ouço teu nome!
(Professor Alves, 13/09/2006, publicado no blog: falvesandrade.blogspot.com)

01. No poema  há uma epígrafe de Fernando Pessoa. Assinale a alternativa em que há a função da linguagem predominante nesses versos:
a) emotiva;
b) fática;
c) metalinguística;
d) poética;
e) referencial.

02.  No verso “Eu ri, Joelma” há uma ideia de:
a) alegria;
b) desprezo;
c) saudade;
d) nostalgia;
e) dó.

03. O autor, na composição do poema mesclou as linguagens:

a) coloquial e debochada;        c) técnica e gíria;                     e) culta e desleixada.
b) denotativa e conotativa;      d) objetiva e subjetiva;
  
04. O termo “Joelma” aparece no texto sempre como:

a) aposto;                 c) complemento verbal;         e) vocativo.
b) predicativo;         d) sujeito;    

05. A palavra que exerce função de Predicativo é:

a) “teu nome”, verso 1;         c) “desesperadas”, verso 3;       e) “incêndio”, verso 23.
b) “à lembrança”, verso 2;    d) “lembrança”, verso 10;

06. A conjunção “mas”, verso 7 tem o mesmo valor que a conjunção:

a) pois;             c) embora;      e) logo;
c) porque;        d) quando.

 TEXTO II
            Tudo vai bem dentro de casa, até que o marido surge com a notícia de que vai se aposentar. A mulher entra em pânico, pois sabe que sua rotina vai mudar completamente. Ela terá de conviver com um marido que critica, faz cobranças e dá ordens num território que sempre foi dela. Até os programas com as amigas ficam em perigo. O fenômeno, que atinge as mulheres na faixa dos 50 ou 60 anos, é tão comum no Japão que já recebeu batismo: síndrome do marido aposentado. O criador do nome foi o médico Nobuo Kurokawa, pesquisador que se transformou em autoridade no tema "maridos aposentados, mulheres à beira de um ataque de nervos". Não é por acaso que essa designação veio do Japão. Lá, fiéis à antiga tradição, muitas esposas são praticamente "serviçais" do marido. Uma pesquisa realizada naquele país revelou que, enquanto 85% dos homens que estão próximos da aposentadoria se mostram muito felizes, 40% de suas esposas se declaram deprimidas com a perspectiva.
07. O termo “rotina”, linha 2, tem como significado a palavra da alternativa:

a) dia-a-dia;
b) rotatividade;
c) saúde;
d) televisão.

08. “...num território que sempre foi dela...” entendemos por essa passagem, presente na linha 4, 
a) que a mulher, no texto, foi generalizada, ou seja, todas as mulheres vivem a mesma
    rotina.
b) que as mulheres foram individualizadas, ou seja, as mulheres brasileiras, por
    exemplo, são diferentes das americanas, que são diferentes da japonesas etc.
c) que não há diferença entre os homens.
d) que todas as mulheres são cozinheiras.

09. A ideia geral do texto é:
a) As mulheres ficam felizes com a presença do marido.
b) Quando os homens estão em casa, a vida das mulheres se transforma.
c) As mulheres não gostam de seus maridos.
d) As relações entre marido e mulher não são mais como antigamente.

10. São acentuadas pelo mesmo motivo de “até” e “notícia”, linha 1:
a)  cipó – pânico;
b) você – série;  
c) Itaú – história;
d) balaústre – pôde;
e) país – vários.

11. Assim como “realizada”, linha 10, estão corretamente grafados  os termos:
a) analizada – vulgarizada;
b) catequizada – batizada;
c) canalisado – verticalizado;
d) pesquisar – organisação;
e) paralização – desorganização.

12. “Completamente”, linha 3, é advérbio, assim como:
a) “tudo”, linha 1;
b) “até”, linha 4;
c) “comum”, linha 5;
d) “muitas”, linha 9;
e) “muito”, linha 11.

13. A locução verbal “vai se aposentar”, linhas 1 e 2, dá ideia de:
a) presente;
b) passado;
c) ordem;
d) conselho;
e) futuro.

TEXTO III

AGUANAMBI

            O corpo franzino estirado no asfalto, no início da noite de ontem, em pleno horário de “rush”, em uma das avenidas mais movimentadas de Fortaleza, contrastava o homem que em vida buscou a discrição, principalmente nos últimos cinco meses, desde que perdeu a esposa por câncer, segundo colegas de trabalho.
            Carros luxuosos trafegavam em marcha lenta e até ousavam revelar os rostos de seus condutores, quando vidros escuros abaixavam para uma melhor visão do ser inanimado.
             Pessoas se arriscavam entre veículos de buzinas estridentes, para descobrir a identidade do homem que praticamente parou um dos sentidos da avenida Aguanambi e retardou o trânsito do outro trajeto.
            Era João Valdeci de Oliveira Matos, 46, que há 10 trabalhava como soldador de uma oficina de lanternagem nas proximidades. Ele foi arremessado alguns metros por um ônibus da linha Expresso BR-Nova, quando tentava atravessar a pista.
            No asfalto, mais do que o filete vermelho: o futuro incerto de oito crianças e adolescentes (a primogênita com 16 anos), agora completamente órfãos, em um intervalo de cinco meses.
            Foi o que lamentou o patrão do soldador, após cobrar de policiais militares o que lhe parecia devido. “O ‘passcard’ na carteira dele é meu”, reclamou, sem interesse pela velha identidade, a única outra coisa na carteira.
                    (Jornal O Povo, 01/08/2009)


14. O contraste, citado no primeiro parágrafo, deve-se:
a) ao corpo franzino e à discrição;
b) à discrição e ao movimento da avenida;
c) ao corpo franzino e ao asfalto;
d) à discrição e ao asfalto;
e) ao asfalto e à noite.

15. No segundo e terceiro  parágrafos há uma nota de :
a) curiosidade;
b) preocupação;
c) desprezo;
d) desinteresse;
e) organização.

16. Podemos afirmar que a abordagem do jornalista que escreveu o texto denota:
a) desinteresse;
b) indiferença;
c) comprometimento;
d) reflexão;
e) indignação.

17. “desde que”, linha 4, é uma locução:
a) conjuntiva;
b) adverbial;
c) substantiva;
d) adjetiva;
e) prepositiva.

18. Como “discrição” também se escreve com C:
a) extenção;
b) distenção;
c) exceção;
d) conceção;
e) discução.

19. “no asfalto”, linha 16, justifica a vírgula por ser:
a) sujeito;
b) adjunto adverbial;
c) adjunto adnominal;
d) aposto;
e) complemento nominal.

20. Como “trânsito”, linha 6, estão corretamente acentuados os termos:
a) pára (verbo) e pôr (preposição);
b) rítmo e saía;
c) pôde (passado) e lêem;
d) têm e retém;
e) rúbrica  e récorde.  

                                   BOA SORTE!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

VERSIFICAÇÃO - TEORIA POÉTICA

Versificação
Verso – representa cada unidade construtiva rítmica de uma poesia.
Métrica – é a quantidade de sílabas poéticas.
Escansão - é a contagem do número de sílabas poéticas.

Importante:
 Contam-se as sílabas até a última tônica.
Es|tou | de | vol|ta | pro | meu | a|con|che|go - átona 1    2      3     4   5     6        7      8    9    10
Sem|pre | quis | te | dar | ca|ri|nho e | pai|xão – tônica   1      2        3      4     5      6  7     8         9   10(O fenômeno que se verifica na sílaba poética número oito chama-seelisão (sons vocálicos diferentes).

A | col|cha a|ca|ba | de a|que|cer | nós | dois  
1    2       3      4   5      6      7      8      9       10Além da elisão na sílaba poética número seis, há crase (a mesma vogal) na número três.

A saber...O número de sílabas é determinante para sua classificação: 
Uma – Monossílabos; 
Duas – Dissílabos; 
Três – Trissílabos
Quatro – Tetrassílabos 
Cinco – Pentassílabos ou redondilha menor (acentos na 2ª e 5ª)
Seis – Hexassílabos (acentos na 2ª e 6ª sílabas)
Sete – Heptassílabos ou redondilha maior (acentos na 3ª e 5ª)
Oito – Octossílabos
Nove – Eneassílabos ou jâmbicos (acentos na 3ª, 6ª e 9ª)
Dez – Decassílabos = heróico (acentos na 6ª e 10ª) ou sáficos (acentos na 4ª, 8ª e 10ª)
Onze – Hendecassílabos ou datílicos (acentos na 2ª, 5ª, 8ª e 11ª)
Doze – Dodecassílabos ou alexandrinos (se os acentos forem na 6ª e 12ª)
Mais de doze – Bárbaros

Repetição
Antecanto – repetição do verso no início de cada estrofe.
Bordão – repetição do verso no final de cada estrofe.
Estribilho ou Refrão – repetição constante dos versos.

Quanto ao número de versos:Monóstico – um verso 
Dístico – dois versos
Terceto – três versos
Quadra ou quarteto – quatro versos
Quintilha – cinco versos
Sextilha – seis versos
Septilha – sete versos
Oitava – oito versos
Nona – nove versos
Décima – dez versos

Ritmo  
É o traço forte ou fraco que marca os intervalos numa versificação.
Binário
Chama-se ascendente o ritmo melódico fraco-FORTE;
O | ri|so | ven|ce o | pran|to
A   T   A      T      A         T    A 
O binário descendente mostra uma relação FORTE-fraco.
Tin|has | tan|to | me|do | va|go e | frou|xo
  T    A       T    A     T    A     T     A        T    A
Ternário
À relação fraco-fraco-FORTE chamamos ascendente;
“Tu | cho|ras|te em | pre|sen|ça | da | mor|te” (G. Dias)
   A     A      T      A         A      T    A     A       T
Temário descendente mostra uma relação inversa, ou seja, FORTE-fraco-fraco.
Pá|gi|nas | cá|li|das; | pá|li|das | pá|gi|nas
  T  A    A      T  A   A        T  A   A      T   A    A 

Atenção: Brancos e Livres são os versos sem rima e métrica respectivamente.

Rima  
Identidade sonora, normalmente, no fim de cada verso.
Quanto à combinação
Alternadas ou Cruzadas
 – ABAB...casa
...forte
...brasa 
...norte
Emparelhadas ou Paralelas – AABB
...vento
...lento 
...ponho
...sonho
Interpoladas ou Opostas – ABBA
...viso 
...fraca
...maca
...riso
Continuadas – repetição da mesma rima ao longo do poema. 
Mistas – são as que não seguem esquematização regular.

Quanto à acentuação tônica
Oxítonas
 – agudas ou masculinas 
Paroxítonas – graves ou femininas 
Proparoxítonas – esdrúxulas 

Quanto à coincidência sonora
Perfeita 
ou Soante – há correspondência completa de sons: tento / vento – vele / sele. 
Imperfeita ou Toante – há correspondência parcial de sons: âmbar /amar – até /ate. 

Quanto à Morfologia
Rica
 – classes gramaticais diferentes: contente / tente
Pobre – a mesma classe gramatical: coração / união
Preciosa – palavras quase sem rima: pauta / nauta
Coroadas – As que ocorrem dentro de um mesmo verso. 
Ex.: O triste existe em sofrimento lento. (Castro Alves)

Estrofe – é o agrupamento de versos.

FORMAS FIXASSoneto: poema formado por dois quartetos e dois tercetos, normalmente composto por versos decassílabos e de conteúdo lírico; 
. Balada: poema formado por três oitavas e uma quadra; 
. Rondel: poema formado por duas quadras e uma quintilha; 
. Rondó: poema com estrofação uniforme de quadras; 
. Vilanela: poema formado por uma quadra e vários tercetos.


POR NEL DE MORAIS ENVIADA AO SITE:
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sexta-feira, 30 de março de 2012

NOITE DE ALMIRANTE


OU A ETERNIDADE AMOROSA

         Ontem estive lendo pela centésima vez (estou hiperbólico) a desafortunada vida amorosa de Deolindo Venta Grande, personagem do conto Noite de Almirante de Machado de Assis (este era, é e será sempre O CARA). Nesse conto, Deolindo, trabalhador embarcado de um navio, em terra, se apaixona por Genoveva (também conheci uma na adolescência, e a história não foi muito diferente. rsrs). O amor foi tão avassalador que os dois pensaram em morar juntos. Deolindo abandonaria a embarcação e ancoraria sua vida à de Genoveva, um lócus amoenus, numa aurea mediocritas. Se não fosse a velha Inácia, espécie de tia da moça, eles teriam feito besteira. Deolindo precisava trabalhar, e no dia do embarque, choro, tristeza, juras e muitas juras: ambos juraram amor eterno. Como se Cupido fosse preguiçoso. Dez meses depois, ele retornou para o seio de Genoveva, “colozinho de Genoveva”. Trazia-lhe um mimo, um lindo par de brincos, comprado com as economias e trazia-lhe o corpo casto, embora não fossem poucas as tentações. Anos depois João Guimarães Rosa definiria Jó Joaquim, personagem de Desenredo, assim: “bom como o cheiro da cerveja”. Era assim Deolindo. Bom e querido por todos.
            Quando Venta Grande se aproximava da casa de Genoveva, deve ter estranhado a ausência da moça à janela. Era assim que deveria ser. A musa esperando melancólica seu poeta, como bem mais tarde Wando assinalaria em “A Menina e o Poeta”, imortalizada na voz de Roberto Carlos. Mas nada. Estava tudo fechado. Quando Dona Inácia veio abrir a porta, Deolindo nem a cumprimentou, perguntou ansioso pela amada. O chão afundou, com o peso do marinheiro ao saber ele que a moça havia se amancebado com o mascate. A polidez machadiana jamais permitiria o uso desse termo, mas peço licença para utilizá-lo. Amancebou-se Genoveva com o mascate. Pode?! Deolindo de endereço na cabeça saiu, pisando firme, imaginando a faca vingadora ensanguentada. Ia tão desapercebido em seus devaneios vingativos que nem percebeu Genoveva, à janela. Diante da moça, não sabia o que fazer, ela era espontânea, interrogativa, feliz com vê-lo. Não tinha o peso da vergonha culposa sobre os ombros. Até porque nada tinha feito nada para isso. Era inocente, quase anjo, sem mácula. Desarmado, Venta Grande balbuciava e respondia às perguntas da moça a respeito das viagens... Até que chegou o solene momento em que o mestre da Literatura e do conto manipula Deolindo à pergunta que não pode calar: e a jura! você não jurou amor eterno! Então não era verdade? Claro que era! Quando jurei era verdade!

            Alguém duvida da honestidade de Genoveva? Claro que não. É assim o amor. São dois mestres da poesia que bem definem a eternidade amorosa. O primeiro é Vinícius de Morais:

                            “Que não seja imortal, posto que é chama
                             Mas que seja infinito, enquanto dure!”

O outro é Pedro Lira:

                       “...Isso já estava morto e martelava
                       Por hábito por vício ou por capricho
                       (...)
                       Quem trai faz um favor, derrete o nó
                       E segue a natureza por que aquilo
                       Não era mais amor, era insistência”  


Eis o quanto dura a eternidade amorosa: um nada. Ou uma vida inteira. O tempo é com certeza o maior inimigo dos juramentos amorosos. Na presença ou não de um padre, ou de Deus. Mas é isso a eternidade, é enquanto ela dura. Um amor pode durar uma noite, uma semana, uma vida. O importante é aproveitá-lo sem se preocupar quando ele vai se esvair.
Deolindo foi fiel, não se envolveu com nenhuma mulher nas suas andanças. Genoveva também. Só que Genoveva devido á sua condição feminina estava parada, sonhando, pensando no amante. Aí veio o mascate. Papo vai papo vem...
O certo é que o marujo não matou nem se matou, pois a vida continua. É certo também que na próxima viagem ele terá mais olhos para as suecas, dinamarquesas, africanas.
(Professor Alves, março de 2012)